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Indústrias Extractivas

Extracção de hulha, lenhite, petróleo bruto, gás natural e outros. Extracção e preparação de minérios metálicos.

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A Argila Natural, Vermelha ou Nem Por Isso, É Especial

3 de Junho de 2019 by Olinda de Freitas Deixe um comentário

A argila natural é, como assim indica a designação, um material natural com uma textura terrosa ou argilácea, de granulação fina, com partículas de forma lamelar ou fibrosa.

A argila natural é constituída essencialmente por argilo-minerais e pode conter outros minerais que não são argilo-minerais como quartzo, mica, pirita, hematita, entre outros, matéria orgânica e outras impurezas resultantes da hidratação de silicatos de alumínio, ferro e magnésio.

Com a água, a argila natural transforma-se!

Na presença da água, e isto devido ao poder dos argilo-minerais, as argilas naturais desenvolvem uma série de propriedades, nomeadamente:

  • argila naturalplasticidade;
  • resistência mecânica à humidade;
  • retracção linear de secagem;
  • compactação;
  • tixotrópia;
  • viscosidade de suspensões aquosas. São estas que explicam a grande variedade de aplicações tecnológicas, pois a estrutura laminada permite a adsorção de moléculas de água.

A classificação dos tipos de argila natural está, então, relacionada com o grupo de argilo-minerais que a compõem.

Os tipos mais comuns de argila natural são:

  • Cauliníticas: constituídas essencialmente por argilo-minerais do grupo da caulinita, onde se enquadram todos os silicatos de alumínio hidratado. A cor é clarinha e, por serem pobres em óxidos e hidróxidos de ferro e de outros elementos cromóforos, possuem uma menor plasticidade e também fazem menor retenção de água;
  • Esmectiticas ou Montmoriloníticas: constituídas por argilo-minerais do grupo da montmorilonita (compostos por alumínio, magnésio e ferro, e algumas vezes cálcio e sódio). São bastante plásticas e com uma grande capacidade de retenção de água. Podem igualmente ser chamadas de argilas expansivas pela sua capacidade de variância de volume. São vermelhas, ou avermelhadas, devido aos óxidos e hidróxidos de ferro acima de certos limites;
  • Illíticas: compostas por argilo-minerais do grupo da illita com diferentes variedades micáceas que são constituídas por silicatos hidratados de alumínio, ferro, potássio e magnésio).

Que características físicas e mecânicas apresenta a argila natural?

  • A plasticidade é a característica da argila natural que depende de uma maior ou menor presença de água;
  • Contratação na secagem é uma característica mais forte consoante a plasticidade da argila;
  • Resistência à flexão do material seco, igualmente maior nas argilas mais plásticas;
  • Resistência à flexão do material queimado quanto maior for o grau de vitrificação ou sinterização.

Relativamente aos tipos de jazimento, a argila natural pode ser argila residual ou argila transportada:

  • A argila residual, ou primária, é aquela que permanece no seu local de formação e cujas jazidas são semelhantes, em forma, à rocha matriz;
  • A argila transportada: é aquela que, após o intemperismo, é transportada pelas águas ou ventos, principalmente a fração mais fina, depositando-se em regiões de baixa velocidade de corrente nos lagos, nos rios, nos pântanos ou nos mares.

São estas argilas que originam as argilas sedimentares ou transportadas!

Para perceber melhor a constituição da argila natural e respectivas características, consulte mais informação relacionada.

Fonte da imagem

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Anticlinal de Estremoz: Gigante de Mármores Ornamentais

25 de Maio de 2019 by Olinda de Freitas Deixe um comentário

O anticlinal de Estremoz é um dos principais centros mundiais de extracção de mármores para fins ornamentais e localiza-se no sector setentrional da Zona de Ossa – Morena (ZOM), em Portugal, 150 quilómetros a Leste de Lisboa, a partir de onde se faz o acesso através da auto-estrada.

Quais os principais núcleos de exploração?

anticlinal de EstremozNo Anticlinal de Estremoz, os mármores existentes apresentam-se intercalados entre os metadolomitos, na base (metadolomias), e os metavulcanitos e xistos negros, no topo. No flanco NE do Anticlinal os mármores apresentam-se pouco dobrados com orientação NW SE, inclinando 70º a 80ª para NE, possuindo uma espessura de cerca de 150 m.

No flanco SW, as camadas possuem orientações e inclinações bastante variáveis predominando, no entanto, as orientações NW-SE e as inclinações de 35 a 50º para SW. Neste flanco do Anticlinal de Estremoz a espessura máxima da camada de mármores apresenta-se bastante variável:

  • Mármores cinzentos e por vezes escuros (mármore azul e ruivina);
  • Mármores claros, cremes e róseos limpos ou de vergada fina castanha e acinzentada;
  • Mármores claros com vergada, róseos e creme com vergada xistenta espessa.

Pedreiras profundas

No Anticlinal de Estremoz existem cerca de 200 pedreiras em actividade para um total de, aproximadamente, 370 cortas existentes e estas unidades extractivas espalham-se pelos vários núcleos de exploração. A maioria das pedreiras tem uma profundidade entre os 15 e os 50 m, existindo no entanto explorações com profundidades mais elevadas, possuindo a mais profunda cerca de 110 m.

Expansão, desenvolvimento e declínio

A exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz passou por um período de expansão e desenvolvimento durante a década de 1980, verificando-se o oposto em 1990. terá havido um estrangulamento de produção em apenas uma década, comprovado pelos dados estatísticos da produção de mármores em Portugal, tem impedido o desenvolvimento do sector justificado pelas exigências do mercado, as exigências ambientais – que só recentemente começaram a trazer constrangimentos às explorações – e factores externos, tais como a Guerra no Golfo (em1991), entre outros.

O que condiciona a exploração de mármores no Alentejo?

A exploração de mármores no Alentejo, e no Anticlinal de Estremoz, apresenta alguns problemas relacionados com a complexidade geológica que condiciona, em alguns casos, as explorações, podendo mesmo conduzir ao seu abandono. São apontados os seguintes condicionalismos de origem geológica:

  • Compartimentação por falhas e fracturação – a compartimentação do maciço por falhas ocorre ao longo de toda a estrutura, aparecendo preenchida por filões doleríticos.  É igualmente observável uma diminuição da fracturação em profundidade embora esta não se possa considerar geral para todo o maciço no Anticlinal de Estremoz, pois varia de local para local;
  • Dolomitização secundária – a dolomitização secundária é responsável pela transformação de mármores num dolomito cavernoso secundário sem aptidão ornamental (vulgo olho de mocho).
  • Carsificação – o aparecimento do carso nas explorações é relativamente frequente, sobretudo em Borba e em algumas zonas da Lagoa.

Foram surgindo, entretanto, com a evolução da lavra, outras condicionantes à exploração no Anticlinal de Estremoz. Resultam, essencialmente, do facto de em reduzidas áreas de corta se terem atingido elevadas profundidades – o que tem conduzido à degradação do recurso por concentração de tensões junto dos taludes, acabando por induzir fracturação nos mármores.

Medidas para melhoria da exploração no Anticlinal de Estremoz

  • Alargamento da área das cortas, através da junção de explorações contíguas, e definição dos degraus nos taludes;
  • Adopção de novos métodos de desmonte como, por exemplo, o método de exploração subterrânea, nos casos em que o alargamento não é possível.

A exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz possui características bem específicas, no domínio da geologia, nos respectivos núcleos.

À expansão desta actividade nos anos oitenta seguiu-se um período de declínio acusado por factores externos às pedreiras mas também por condicionalismos inerentes à lavra – o que apenas poderá ser contornado com a adopção de medidas de alargamento ou de novos métodos de desmonte.

Imagem

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Carvão: o combustível que destrói o planeta

22 de Maio de 2019 by Ana Rita Amante Leal Deixe um comentário

Com mais de duzentos anos de existência em Portugal, o carvão era extraído nas minas de São Pedro da Cova e de Santa Susana, que já foram exploradas na totalidade. Por este ser considerado um combustível fóssil, teve um importante papel no aquecimento das habitações, ainda antes de surgir a eletricidade.

Quem viveu há umas décadas atrás, certamente se recorda das tradicionais braseiras a carvão? E das locomotivas que eram movidas por este combustível, deixando aquele rasto de fumo no ar? Deste tempo só restaram as lembranças e para muitos a saudade, mas esta matéria-prima continua a ter um contributo importante para a humanidade.

Como é feita a extração do carvão?

Todos já ouviram falar das minas e da importante atividade que têm os mineiros, passando dias e noites em galerias subterrâneas para encontrar produtos que de outra forma seria impossível conhecermos e beneficiarmos do seu usufruto.

É em minas destas que se encontra o carvão, normalmente a uma profundidade bastante elevada, que chega a atingir os quatrocentos metros. Atualmente, aliada à ação do Homem, existem máquinas que vão escavando as galerias, até encontrar este combustível e o trazer para a superfície. O carvão é um combustível fóssil, porque teve a sua origem numa importante fonte de aquecimento: o sol.

Quando é feita a exploração de uma mina e lhe é retirada todo o carvão – o que leva dezenas de anos – este não se renova. Em Portugal as minas existentes já foram exploradas na sua totalidade.

Um importante gerador de eletricidade

Ainda hoje usamos o carvão para produzir eletricidade, embora as nossas minas já se encontrem esgotadas. O carvão continua a ser o principal gerador de energia a nível mundial, devido ao seu baixo custo, mas o facto de ser mais barato, não significa que seja a melhor opção.

No verão é comum as famílias fazerem piqueniques e grelharem carne em barbecues, recorrendo a sacos de carvão, que se encontram à venda em qualquer híper ou supermercado. Mas já reparou no fumo preto que lança para a atmosfera ao realizar um simples grelhado? O carvão mineral tem na sua composição carbono, oxigénio, hidrogénio, enxofre e cinzas, sendo formado por resíduos orgânicos, que são altamente poluentes.

Este combustível continua a ser muito utilizado na produção industrial, em fornos, fogões e para fazer fogueiras.

Mas quais as desvantagens da sua utilização?

O carvão é proveniente de uma planta de origem vegetal, que levou milhares de anos a formar esta rocha preta, mas após ser extraído, não se renova e quando uma mina é totalmente explorada, não volta a ter esta matéria-prima.

É comum ouvirmos e vermos nos noticiários acidentes em minas, que provocam a perda de vidas humanas, muitas vezes, sem qualquer necessidade. Existem pessoas que arriscam a sua vida para extrair uma matéria que ainda não é utilizada racionalmente, senão vejamos: mais de cinquenta por cento da energia produzida a nível mundial provém do carvão, um número bastante elevado para um combustível que não se renova.

Um combustível que polui o meio-ambiente

Quando e carvão é queimado lança para a atmosfera gases altamente poluentes, que contribuem para o aumento do aquecimento global a nível mundial. Muito se fala que o mundo está em mudança e que atualmente só existem duas estações – verão e inverno – mas poucas são as pessoas que pensam o porquê deste fenómeno? Se queimamos anualmente milhões de toneladas deste combustível, a atmosfera é invadida por um fumo negro, que é libertado a altas temperaturas e polui não só o ar, mas também o mar e as florestas.

O aquecimento global é causado pelo Homem e responsável por fenómenos que cada vez são mais frequentes, como os furacões ou as secas. E não nos enganemos, apesar de não haver renovação deste mineral, existem reservas com mais de 860 bilhões de toneladas, o suficiente para continuarmos a usar este combustível nos próximos 130 anos. Mudar de atitude só depende de nós, porque estamos a construir o planeta para uma geração futura que vai sofrer as consequências dos seus antepassados.

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Indústria de Extracção Mineira em Moçambique, Uma Força

13 de Maio de 2019 by Olinda de Freitas Deixe um comentário

O arranque da indústria de extracção mineira em Moçambique é um ponto positivo no cenário geral de pobreza em que este país vive – um país que realiza as quintas eleições gerais da sua história, em Outubro próximo, e que tem uma das economias que mais cresce no continente africano não obstante o nível de pobreza que ainda atinge 54% da população, segundo o Banco Mundial. Esta é uma informação avançada pelo site Notícias ao Minuto.

Moçambique, o país com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano no mundo, arranca com a indústria de extracção mineira

Com crescimento económico acelerado e pobreza visível assim está Moçambique depois de viver uma guerra civil que durou dezasseis anos e que foi causa de mais de um milhão de mortos. Ainda assim, tornando-se um dos países mais pobres do mundo e dependente da ajuda internacional, de acordo com a ONU, Moçambique conseguiu, em duas décadas, desde o fim do conflito em 1992, assinalar um dos mais fantásticos crescimentos económicos de África. E a prova disso mesmo está também na aposta do arranque da indústria de extracção mineira.

Refira-se que a população Moçambicana tem vindo a crescer a um ritmo cada vez mais acelerado, não só devido às elevadas taxas de natalidade como também à redução gradual da mortalidade e que, nos últimos dez anos, foram descobertos importantes reservas de carvão, gás, petróleo que têm de ser exploradas – e daí a importância do arranque da indústria de extracção mineira já que  a economia Moçambicana tem permanecido na produção de bens agrícolas.

O arranque da indústria de extracção mineira não é sinónimo de prosperidade em Moçambique – mas é um excelente indicador de força

Não podemos esquecer que há ainda um drama por resolver em Moçambique: a fome e a doença. A malária continua a afectar a quase totalidade das famílias moçambicanas, à semelhança da sida, que atinge 1,4 milhão de pessoas. De acordo com a ONUSIDA ocorrem 120 mil novas infecções pelo vírus por ano, uma situação que coloca Moçambique na lista dos dez países mais afectados por esta enfermidade.

Ademais, o Índice Global da Fome de 2013 posicionou Moçambique no grupo dos 16 países considerados como estando em situação…

Obviamente que o recente arranque da actividade da indústria de extracção mineira não tirou ainda o país da dependência dos fluxos de capitais externos: calma. Mas revela ser um excelente indicador de força para a economia, juntamente com o sector agrícola, responsável por mais de 20% do produto real, os transportes e comunicações, a indústria transformadora e comércio e os serviços financeiros.

Sabe-se que este país tem pretensões de iniciar a exportação do gás natural liquefeito a partir de 2018, um objectivo que para ser alcançado dependerá de avultados investimentos em infra-estruturas, para a extracção do mineral, construção de terminais e instalação de uma rede de distribuição para abastecer os mercados interno e externo – isto a par da revitalização da estrutura portuária.

Arquivado em:MINÉRIOS & MINERAIS Marcados com:fome, gás natural liquefeito, indústria de extracção mineira, indústrias extractivas, malária, Moçambique

A extração do ferro da rocha. Como tudo acontece

10 de Maio de 2019 by Diana Lopes 8 Comentários

Nas minas, a extração do ferro ocorre depois que se encontre a chamada jazida. Aqui, é necessário separar o material útil do que se pode considerar lixo, como terra e outros materiais usados na construção das rochas. Uma vez que estamos a falar de rochas muitas vezes que pesam toneladas, as minas de extração do ferro necessitam de ter grandes dimensões.

Extração do ferro

Desde as pedras encontradas nas jazidas até ao ferro propiamente dito são necessárias máquinas especificas para este processo ocorrer sem problemas. A exploração do ferro é das indústrias de extração mais importantes e que necessitam de vários passos até que se obtenha o ferro que todos nós conhecemos.

Primeiros passos da extração do ferro

A primeira etapa é a extração propriamente dita, que pode ser feita com escavadoras que vão escavando a rocha ou  com recurso a explosivos no caso do ferro se encontrar longe da superfície. Depois deste passo, é necessário transportar o ferro até à superfície para que possa ser posteriormente preparado e vendido.

A preparação do ferro

O ferro encontra-se no meio da terra e de outros minérios sem valor. A esta parte sem valor económico dá-se o nome de estéril e é empilhada em áreas próximas às minas de forma a causar o menor impacto ambiental possível. Para que isto aconteça, muitas vezes são plantadas árvores na terra estéril.

O restante minério em estado bruto chega à usina em grandes blocos, que são partidos pelas máquinas de britagem em pequenos fragmentos de 2 cm.

A separação do ferro

O minério que sai da máquina de britagem cai para uma peneira que possui telas de diferentes espessuras, permitindo a passagem apenas dos fragmentos até 2cm, eliminando os restantes. Esta fase do processo de extração do ferro é feita com a ajuda de água que retira o excesso de terra à volta do ferro.Além disso, para os fragmentos de menores dimensões são utilizados imanes que atraem o ferro para eles.

É importante referir que nesta fase do processo, mais de metade da água utilizada é posteriormente reciclada de forma a tornar a extração do ferro um método mais ecológico.

Passos finais

Depois de limpo, peneirado e separado por tamanho, o ferro segue para as máquinas empilhadeiras, que vai descarregando o ferro em pilhas de grandes dimensões para ser armazenado até necessitarem de ser transportados por comboios, o único meio de transporte viável na extração do ferro.

Após todo este processo, o ferro está pronto para ser utilizado para os inúmeros fins, como na indústria da construção, na produção de ligas metálicas, fabrico de linhas de caminhos de ferro, fabrico de bicicletas, indústria automóvel, entre tantas outras. O ferro é dos metais mais comuns encontrados no nosso dia-a-dia e onde se crê que já era utilizado nos anos 5000 a.C.

Tão antigo, podemos dizer que este metal tem uma saúde de ferro!

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Recursos minerais dos oceanos: tesouro inestimável

9 de Maio de 2019 by Marco Deixe um comentário

Recursos minerais em Portugal: potencialidades e vulnerabilidades

Apesar das suas pequenas dimensões, Portugal possui ampla riqueza de recursos minerais. A exploração mineira em Portugal remonta por isso aos tempos pré-Romanos, com registos de actividade extractiva por parte de Fenícios e Cartagineses, sem dúvida impulsionada pela riqueza da faixa piritosa ibérica. Também os Romanos possuíram na Lusitânia diversas minas, encontrando-se entre as mais famosas as de Valongo, na Serra da Santa Justa e Aljustrel, localidade ainda rica em pirites.

Já no século XX, Portugal possuía no início dos anos 90 um parque mineiro moderno, constituído por diversos empreendimentos recentes, mas as normas Europeias de acesso aos recursos minerais e a generalizada má imagem da exploração mineira levaram a um decréscimo da actividade extractiva, gerando não só um subaproveitamento dos recursos, como chegando-se a contabilizar perto de 200 minas abandonadas e a necessitarem de intervenção preventiva para não se tornarem riscos ambientais e para as populações.

A segunda década do Séc. XXI parece no entanto marcar um ponto de viragem, com o crescimento dos pedidos de extracção de minério chegados à Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG), com o ouro em grande destaque: as minas de Jales/Gralheira encontram-se em fase de prospecção para reabrirem após 20 de inactividade, e na Boa-Fé a exploração deve começar ainda em 2015.

Estima-se que até 2025, a extracção de recursos minerais em Portugal atinja os 2,5 mil milhões de Euros, cerca de 1% do PIB. Com a Europa no estatuto de importadora e a América Latina a dominar o mercado mundial, a mineralogia diversificada de Portugal é um investimento apetecível com amplas chances de sucesso, ainda que com sérias deficiências. Como dava conta há apenas dois dias o director-geral das minas de Aljustrel em edição do Correio do Alentejo, Portugal não possui fundições para transformar concentrado de cobre em cobre final. Como resultado, é primeiro necessário exportar o concentrado para voltarmos a importar o produto final, diluindo-se aí uma boa parte do lucro potencial.

Hoje em dia, no entanto, Portugal está na linha da frente dos países que olham para o mar à procura de novos recursos minerais.

Recursos minerais dos oceanos

Foi já entre 1872-1876, durante a expedição científica do HMS Challenger, que se determinou a ocorrência de nódulos polimetálicos (ou nódulos de manganês) na maioria dos oceanos terrestres, após a sua descoberta em 1868 no Mar de Kara. Tratam-se de nódulos de camadas concêntricas de ferro e óxidos de manganésio em torno de um núcleo e que podem ter entre 1 e 10cm.

Mais promissoras são as fontes hidrotermais, nas quais a Zona Económica Exclusiva (ZEE) Portuguesa é rica. Estudos prolongados das fumarolas negras permitiram concluir que este tipo de fontes formam grandes depósitos de sulfetos que contêm ouro, cobre, manganésio, zinco, e outros metais.

Ora Portugal tem a seu cargo a 3ª maior ZEE da Europa, e as recentes explorações da Plataforma Continental deram-nos a percepção de que para lá do pescado, os maiores recursos minerais nacionais estão ali mesmo no fundo do mar.

Manuel Pinto e Abreu, Secretário de Estado do Mar, declarava já em 2012 que as extracções de níquel, cobre e cobalto no fundo do mar podem atingir os 60 mil milhões de Euros ao ano, embora este número seja amplamente optimista. Estimativas mais conservadoras colocariam a exploração dos recursos minerais oceânicos, que incluem ainda ferro, prata, ouro e metais raros, além de gás natural e hidrocarbonetos, nos 20 mil milhões de Euros, catapultando o mar de 2-3% do PIB para 6-8% do PIB.

Como se minera no oceano

Desde os anos 60 que se conhecem as potencialidades dos fundos oceânicos em recursos minerais, mas a sua exploração sempre foi demasiado custosa. Duas questões vieram mudar esta postura: por um lado, o avanço tecnológico permite novos métodos de extracção de minério do fundo dos oceanos. Por outro, o consumo tecnológico da sociedade impõe maior procura por metais e os seus preços aumentam em consequência, tornando a exploração oceânica mais rentável.

Projecto pioneiro na exploração dos recursos minerais do oceano é o Solwara 1, da Canadiana Nautilus Minerals. Entretanto cancelado devido à falta de pagamentos prometidos pelo governo da Papua Nova-Guiné, o projecto pode ser encarado como exemplificativo de como se processarão as actividades mineiras no fundo dos oceanos no futuro.

Numa fase inicial, recorrem-se a ROV (Remotely Operated Vehicles), veículos comandados à distância, com sondas capazes de recolher amostras do solo marítimo.

O sistema de exploração industrial em si mesmo é constituído por três conjuntos distintos. Em primeiro lugar existem as chamadas SPT (Seafloor Production Tools), efectivamente duas escavadoras comandadas à distância que desagregam a rocha, deixando as lamas depositadas ao longo dos seus rastos, para serem colectadas por uma terceira máquina robótica, que aspira a lama e a reencaminha para a segunda componente da extracção, um sistema de elevação e transporte para a superfície.

Este sistema constituído por bombas e tubos rígidos está então conectado ao Navio de Apoio à Produção (Production Support Vessel-SPV) que procede à remoção da água das lamas e despeja os sólidos numa barcaça encostada ao seu flanco. A água extraída é bombeada de novo para o fundo do mar, fornecendo energia hidráulica às bombas e minimizando o impacto ambiental da mistura das águas frias profundas nas águas mais quentes da superfície.

Actualmente, 9 em cada 10 diamantes vendidos no mundo são obtidos através da exploração dos fundos oceânicos ao longo da costa da Namíbia. Mas isto é apenas o começo, e a corrida aos recursos minerais dos fundos marítimos pode estar prestes a começar.

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