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Indústrias Extractivas

Extracção de hulha, lenhite, petróleo bruto, gás natural e outros. Extracção e preparação de minérios metálicos.

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Anticlinal de Estremoz: Gigante de Mármores Ornamentais

25 de Maio de 2019 by Olinda de Freitas Deixe um comentário

O anticlinal de Estremoz é um dos principais centros mundiais de extracção de mármores para fins ornamentais e localiza-se no sector setentrional da Zona de Ossa – Morena (ZOM), em Portugal, 150 quilómetros a Leste de Lisboa, a partir de onde se faz o acesso através da auto-estrada.

Quais os principais núcleos de exploração?

anticlinal de EstremozNo Anticlinal de Estremoz, os mármores existentes apresentam-se intercalados entre os metadolomitos, na base (metadolomias), e os metavulcanitos e xistos negros, no topo. No flanco NE do Anticlinal os mármores apresentam-se pouco dobrados com orientação NW SE, inclinando 70º a 80ª para NE, possuindo uma espessura de cerca de 150 m.

No flanco SW, as camadas possuem orientações e inclinações bastante variáveis predominando, no entanto, as orientações NW-SE e as inclinações de 35 a 50º para SW. Neste flanco do Anticlinal de Estremoz a espessura máxima da camada de mármores apresenta-se bastante variável:

  • Mármores cinzentos e por vezes escuros (mármore azul e ruivina);
  • Mármores claros, cremes e róseos limpos ou de vergada fina castanha e acinzentada;
  • Mármores claros com vergada, róseos e creme com vergada xistenta espessa.

Pedreiras profundas

No Anticlinal de Estremoz existem cerca de 200 pedreiras em actividade para um total de, aproximadamente, 370 cortas existentes e estas unidades extractivas espalham-se pelos vários núcleos de exploração. A maioria das pedreiras tem uma profundidade entre os 15 e os 50 m, existindo no entanto explorações com profundidades mais elevadas, possuindo a mais profunda cerca de 110 m.

Expansão, desenvolvimento e declínio

A exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz passou por um período de expansão e desenvolvimento durante a década de 1980, verificando-se o oposto em 1990. terá havido um estrangulamento de produção em apenas uma década, comprovado pelos dados estatísticos da produção de mármores em Portugal, tem impedido o desenvolvimento do sector justificado pelas exigências do mercado, as exigências ambientais – que só recentemente começaram a trazer constrangimentos às explorações – e factores externos, tais como a Guerra no Golfo (em1991), entre outros.

O que condiciona a exploração de mármores no Alentejo?

A exploração de mármores no Alentejo, e no Anticlinal de Estremoz, apresenta alguns problemas relacionados com a complexidade geológica que condiciona, em alguns casos, as explorações, podendo mesmo conduzir ao seu abandono. São apontados os seguintes condicionalismos de origem geológica:

  • Compartimentação por falhas e fracturação – a compartimentação do maciço por falhas ocorre ao longo de toda a estrutura, aparecendo preenchida por filões doleríticos.  É igualmente observável uma diminuição da fracturação em profundidade embora esta não se possa considerar geral para todo o maciço no Anticlinal de Estremoz, pois varia de local para local;
  • Dolomitização secundária – a dolomitização secundária é responsável pela transformação de mármores num dolomito cavernoso secundário sem aptidão ornamental (vulgo olho de mocho).
  • Carsificação – o aparecimento do carso nas explorações é relativamente frequente, sobretudo em Borba e em algumas zonas da Lagoa.

Foram surgindo, entretanto, com a evolução da lavra, outras condicionantes à exploração no Anticlinal de Estremoz. Resultam, essencialmente, do facto de em reduzidas áreas de corta se terem atingido elevadas profundidades – o que tem conduzido à degradação do recurso por concentração de tensões junto dos taludes, acabando por induzir fracturação nos mármores.

Medidas para melhoria da exploração no Anticlinal de Estremoz

  • Alargamento da área das cortas, através da junção de explorações contíguas, e definição dos degraus nos taludes;
  • Adopção de novos métodos de desmonte como, por exemplo, o método de exploração subterrânea, nos casos em que o alargamento não é possível.

A exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz possui características bem específicas, no domínio da geologia, nos respectivos núcleos.

À expansão desta actividade nos anos oitenta seguiu-se um período de declínio acusado por factores externos às pedreiras mas também por condicionalismos inerentes à lavra – o que apenas poderá ser contornado com a adopção de medidas de alargamento ou de novos métodos de desmonte.

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Lavra Subterrânea: Alternativa no Anticlinal Estremoz?

1 de Março de 2019 by Olinda de Freitas Deixe um comentário

Nem sempre a lavra subterrânea foi o método utilizado no Anticlinal de Estremoz, Borba – Vila viçosa. A exploração de mármores foi, até 1997, realizada unicamente a partir de pedreiras a céu aberto, altura em que se inicia a primeira exploração subterrânea a partir de uma delas.

Novos desafios ambientais e políticos

A exploração de mármores no Anticlinal de Estremoz começou a enfrentar novos desafios, nomeadamente relacionados com as exigências ambientais e com as políticas de ordenamento. Isto aliado ao facto das jazidas de boa qualidade aflorantes serem cada vez mais escassas e as que existem encontram-se por baixo de unidades litológicas com pouco ou nenhum valor ornamental, ou de infra-estruturas industriais (instalações, escombreiras, e outros).

Assim, e apesar da quase totalidade das pedreiras actuais serem a céu aberto, dadas as características aflorantes da jazida, urge encontrar novas soluções para a exploração de mármores: a lavra subterrânea.

A lavra subterrânea

A exploração subterrânea assume-se como uma alternativa a considerar para viabilizar as zonas que de outro modo não seriam possíveis de explorar. Também é verdade que os preços de venda do produto que se praticam actualmente não permitem pensar em realizar a lavra subterrânea em recursos de menor qualidade.

A este facto está também associada a elevada fracturação da jazida em algumas zonas, que traria certamente problemas de estabilidade à exploração subterrânea.

Mesmo assim haverá certamente um campo de aplicação vasto para este método de lavra subterrânea, que possibilitará o incremento de receitas mesmo a partir da exploração de mármores a céu aberto em actividade.

Isto pode permitir fazer face ao exigente mercado que dificilmente viabilizará o alargamento das explorações com espessuras elevadas de recobrimento (mais de 20 m) de material de fraca qualidade ornamental, como acontece em várias pedreiras do Anticlinal de Estremoz.

Especificidades do Anticlinal de Estremoz

  • Relevo plano que não permite realizar explorações em flanco de encosta (como em Carrara, Itália);
  • Presença de tensões acumuladas em dobras que podem conduzir a elevados graus de fracturação quando desconfinadas pelas cavidades das explorações, o que dificulta também as operações de corte e obviamente a obtenção de rendimentos variáveis em bloco.

Devido às razões anteriormente mencionadas, e à falta de conhecimento e experiência acumulada, dado o estado inicial da lavra subterrânea no Anticlinal de Estremoz, os projectos de engenharia para exploração subterrânea de mármore devem atender a estas situações, com vista a evitar o descrédito deste novo método de lavra subterrânea.

Exploração subterrânea no Anticlinal de Estremoz

No caso do Anticlinal de Estremoz, as situações que poderiam justificar o início da exploração subterrânea, lavra subterrânea, prendem-se fundamentalmente com os seguintes aspectos:

  • Existência de zonas com material de excelente qualidade sob elevadas coberturas de material estéril (solos e mármore de fraca aptidão ornamental);
  • Áreas licenciadas de reduzidas dimensões o que inviabiliza o alargamento da pedreira e a remoção das camadas superficiais sem interesse comercial;
  • Alguma pressão ambiental relativamente aos impactes na paisagem, causados pelas cortas e principalmente pelas escombreiras.

A eventual aplicação da lavra subterrânea ao Anticlinal de Estremoz precisa de estudos prévios que devem ser efectuados visando o bom aproveitamento da jazida, a garantia de viabilidade da exploração e a presença de estabilidade durante o seu avanço – independentemente de se partir de uma exploração a céu aberto, que constituirá o caso mais frequente, ou da exploração do mármore profundo.

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